A Opção por EAD

Discutir, vivenciar e propor um projeto para o oferecimento efetivo de educação a distância pode, ainda hoje, ser classificado como um ato de coragem. São vários os estudos e as práticas sobre o assunto, mas a resistência persiste ao longo dos anos, tanto no exercício como no pensamento pedagógico dos educadores, muito embora já se verifique indicadores mundiais claros sobre a efetividade de aprendizagem nessa modalidade de educação, especialmente, pela verificação da proficiência profissional de seus egressos.

Vivenciamos um quadro de mudanças significativas, seja no campo político, social e econômico; porém, infelizmente, ainda há no mundo muita seletividade e exclusão, mantendo fora da escola uma grande maioria daqueles que, na verdade, mais necessitam dela.

Nesse contexto, assumir programas e projetos de educação a distância significa trilhar caminhos que visem romper com um quadro determinado há muito tempo. Esse rompimento não significa e nem pretende ser a mera substituição de sistemas presenciais por sistemas a distância. É sabido que a escola não pode ser um bloco isolado da sociedade, distante das necessidades dos indivíduos que a compõem. É preciso que a escola, em particular, uma faculdade, inicie um trabalho com as diferenças individuais, possibilitando interações múltiplas e não lineares. Toda a escola deve fazer uso pleno das novas tecnologias, dos novos paradigmas, tornando-os fundamentais dentro desse novo espaço educacional.

O rápido desenvolvimento tecnológico e as demandas do mercado que incluem, entre outros aspectos, a necessidade de formação e aperfeiçoamento de recursos humanos de maneira constante e com alta qualidade dentro de restrições de tempo e, conseqüentemente, de locomoção vêm incentivando e transformando a educação a distância. Essa tem sido compreendida como uma forma de oferecer ensino formal a todos que não puderam freqüentar a escola presencial, quer pela ausência de escolas em uma localidade, quer pela necessidade de ingressar cedo no mercado de trabalho.

Neste sentido, então, educação a distância aqui é defendida como mais uma possibilidade de democratização e facilitação do acesso à escola, e não como um paliativo, que visa suprir todas as deficiências do sistema regular estabelecido. Vivemos num momento histórico, onde os modelos pedagógicos tradicionais já não se sustentam. Faz-se premente a necessidade de estabelecimento de novos modelos, não para de alguma forma concorrerem com aqueles já sedimentados, mas apenas para a ampliação das opções no oferecimento da educação.

A partir de experiências e de reflexões, foi possível perceber mais uma tentativa de tornar a educação a distância uma ação efetiva na educação mundial. Apesar das ações existirem, e são muitas, não se percebe, explicitamente, o estabelecimento de políticas no campo desta nova modalidade de educação. Nos últimos tempos, parece existir uma enorme disposição no sentido de se reverter este cenário. A AMBRA aposta e investiu na criação de cursos ministrados a distância.

Na atual fase de expansão da educação a distância no mundo, é possível se deparar com uma gama diversificada de experiências, o que vem fortemente a contribuir para a sedimentação de propostas, de intenções e de políticas mais claras e mais definidas.

É impossível afirmar que tenhamos um "modelo mundial" de educação a distância. Esse quadro se deve, felizmente, às próprias características individuais de cada país ou região. De todas as propostas, inclusive a aqui apresentada, uma condição é mister: a de que a educação a distância se apresente como uma possibilidade de acesso maior à educação à tão propagada democratização. Esse acesso deve se caracterizar, principalmente, pela qualidade dos propósitos e das ações - já que o acesso, por si só, não tem o sentido pleno de democratização da educação.

A educação a distância pressupõe um trabalho multidisciplinar, onde há a vinculação total da docência com outros profissionais técnicos responsáveis pela publicação, acesso e mantença do conteúdo instrucional em sítio da faculdade na internet, bem como a indispensável interação aluno-escola. Nessa linha de entendimento, não é verdadeira a afirmação de que, em programas de educação a distância, pode-se dispensar a presença, o trabalho e a mediação do professor. Neles, o que acontece é a expansão de suas funções. Segundo Authier (1981),

são produtores quando elaboram suas propostas de cursos; conselheiros, quando acompanham os alunos; parceiros, quando constroem com os especialistas em tecnologia abordagens inovadoras de aprendizagem.

A AMBRA definiu-se pela criação de uma equipe profissional multidisciplinar, em sua estruturação, composta pelos profissionais de áreas de atuação imprescindíveis ao oferecimento de EaD. Agruparam-se profissionais com formação em informática (DBAs, webdesigners, especialistas em redes e desenvolvedores), pedagogia, matemática, engenharia e direito e adotou-se a educação a distância com a utilização de magnífica docência e alta tecnologia como missão institucional. A partir disso, montou-se a estrutura multidisciplinar necessária para o funcionamento com o desempenho de funções permanentemente atreladas a uma dinâmica na qual um conjunto de ações, específicas ou não, depende do funcionamento adequado de todos. Ou seja, o cumprimento normal do trabalho de um profissional, compromete a qualidade e o funcionamento de outro, e vice-versa. É a necessidade da interação decisivamente presente à consolidação das metas propostas pela programação de EaD da AMBRA.

Estabelecido o entrosamento das equipes, elas atuam em funções diferentes, interrelacionam-se e ligam-se constantemente para a produção de seus trabalhos e enriquecimento de todo o processo de oferecimento de EaD. Paralelamente a isso, este projeto pedagógico está calcado na oferta de docência altamente qualificada que, aliada à tecnologia, dá sustentação a cursos em EaD, onde o aluno é o sujeito e todas as ações desenvolvidas pela equipe têm que oportunizar condições para que ele se sinta preparado para exercer a cidadania, fazer suas próprias escolhas, ter a iniciativa de buscar o conhecimento, saber como interagir com a informação e desenvolver suas habilidades e competências.

O programa da AMBRA foi baseado nesta concepção, com objetivos claros e norteadores de toda uma prática e, com certeza, está em sintonia com os fatores e pré-requisitos necessários à formação do profissional e do cidadão dos novos tempos.

A AMBRA não adotou o EaD seguindo uma nova moda educacional. O que se pretende com o ensino a distância é promover no indivíduo a construção do conhecimento, a autonomia para o estudo e a tomada de decisões, a flexibilização nos horários, a facilidade de acesso ao saber, a integralização de conteúdos e a união de esforços para melhorar a aprendizagem. Soma-se, ainda, à interação escola-professor-aluno a exigência intrínseca de a comunicação ser feita majoritariamente por escritos e por leituras.

O conteúdo instrucional da AMBRA foi desenvolvido em uma linguagem própria à EaD, organizado em design pedagógico de perfeita interação com o professor. O material é, assim, após produzido pelo professor, retrabalhado e reescrito de modo a torná-lo o mais completo em si, agradável à leitura, rico em conteúdo, de fácil entendimento e propício para o estudo a distância.